Padre João Miguel Pereira
2026
Caríssimos irmãos e
irmãs: O Deus da esperança, que, pela ação do Espírito Santo, nos alegra com a
sua paz, esteja convosco. (Missal Romano)
Reunimo-nos neste dia
de Pentecostes, tal como naquele quinquagésimo dia depois da Páscoa se reuniram
os Apóstolos:
- Eles suplicantes na
esperança de receberem o Espírito Santo (prometido pelo Senhor Jesus), o Paráclito,
Espírito de sabedoria e de inteligência e de conselho e de fortaleza e de ciência
de piedade e de temor de Deus.
- Nós, para festejar
o cumprimento dessa promessa do Senhor Jesus, cumprida naquele santo dia,
quando «um rumor semelhante a uma forte rajada de vento encheu toda a casa em
que se encontravam» e «viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que
se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles».
Reunimo-nos também
para festejar esse dom do Pai para nós. Esse dom que nos é comunicado pelo
Filho. Esse dom que é o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho e que com
eles e como eles é por nós adorado e glorificado.
Celebremos esse dom
recebido por cada um de nós, em primícias, no dia do nosso batismo (tal como
pelos discípulos na manhã de Páscoa: Evangelho) e em plenitude no dia da nossa
Confirmação/Crisma (tal como pelos discípulos naquele dia de Pentecostes: Atos
dos Apóstolos).
São Gregório Magno
explica esta dupla comunicação do Espírito Santo. Porque também são dois os
preceitos da caridade: o amor a Deus e ao próximo. Depois da sua ressurreição, investido
do corpo glorioso e ainda visível na terra pelos seus discípulos, Jesus
comunica-lhes o Espírito de amor ao próximo. Depois da ascensão ao Céu, no dia
de Pentecostes, Jesus comunica-lhes o Espírito de amor a Deus. «Pois, assim
como é uma só a caridade e dois os preceitos, assim não é mais que um o
Espírito duas vezes comunicado».
Caríssimos irmãos
batizados, se entre vós alguém ainda não recebeu o sacramento do Crisma, peça-o
à Igreja e prepare-se convenientemente para o receber. Nesse sacramento, pelo
frutificar da preparação que deve ser feita com esmero e honestidade, recebemos
a plenitude do Espírito Santo, recebido em gérmen/semente no dia do nossa
Batismo. Quem de vós ainda não viveu esse Pentecostes, prepare-se para vivê-lo.
É, nas palavras de S.
Basílio Magno, «pelo Espírito Santo [que] se nos concede de novo a entrada no Paraíso,
a ascensão ao reino dos Céus, o retorno à adoção de filhos [de Deus]. Por Ele
se nos dá a confiança de chamar a Deus nosso Pai, de participar na graça de
Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna, numa
palavra, de receber a plenitude de todas as bênçãos, tanto na vida presente
como na vida futura».
Só o Espírito Santo nos
assiste a acreditar nas realidades invisíveis e a esperar com esperança no
cumprimento das promessas do Senhor. Só o Espírito Santo continua e aperfeiçoa em
nós (e por nós no mundo) a obra iniciada por Jesus Cristo. Só o Espírito Santo
nos dá a graça da fé que nos salva.
Amados irmãos, como
os Apóstolos reunidos, supliquemos unidos a Deus que continue a enviar o
Espírito Santo: Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e
ascendei neles o fogo do vosso amor! Aceitemos também o convite de São João
XXIII, papa, e «deixemo-nos penetrar, como os Apóstolos no dia de Pentecostes,
por este fogo transformador que purificará as inevitáveis escórias da natureza,
ferida pelo pecado».
E aqueles que andais
afastados da Igreja, voltai! Santo Ireneu de Lyon ensina-nos que «onde está a
Igreja está o Espírito de Deus, e onde está o Espírito de Deus, lá se encontra
a Igreja e toda a graça» por isso «afastar-se da Igreja é repelir o Espírito e,
por isso mesmo, excluir-se da vida». Nas palavras de Santo Agostinho «na medida
em que amamos a Igreja de Cristo, temos em nós o Espírito Santo. A Igreja é a
Sociedade do Espírito».
«Vinde, é o Espírito
Santo que nos convida a todos à justiça, à fraternidade, à paz! Vinde, exilados
da terra, homens que perdestes a esperança. Vinde, vós que sois pobres, que sofreis,
vós as vítimas de toda a sociedade construída sem fundamentos de princípios
transcendentes! Vinde, filhos ávidos de alegria e esperança! Vinde, famílias a
quem só o amor invencível pode tornar felizes; vinde idosos e doentes ao dia
sem declínio; vinde alunos e mestres de ciências novas, vinde à lição do Alfa e
do Ómega; Todos, vinde todos à civilização do amor, à animação incomparável do
Espírito Santo! (São Paulo VI, papa)
Meu amado irmão,
minha amada irmã:
«Abandona-te à ação
do Espírito de Deus; deixa que Ele dilate o teu coração; que Ele se apodere de
todo o teu ser para te elevar até Cristo, te unir com Ele e te levar com Ele ao
seio do Pai, a fim de que Lhe sejas oferecido como hóstia de amor» (Van
Houtryve).
E, nas palavras de
Santo Agostinho, insigne Doutor da Igreja e bispo de Hipona, vos convido: «Vós,
meus irmãos, membros do corpo de Cristo, rebentos da unidade, filhos da paz,
passai esta festa na alegria, celebrai-a sem temor».

Comentários
Enviar um comentário